domingo, 16 de julho de 2017

Entrevista de emprego

- Bom dia, eu vim aqui por causa desse anúncio de emprego.

- Ah, bom dia! Sente-se, por favor! Você trouxe o seu currículo?

- Ainda não. Eu quero saber primeiro quais as vantagens que a empresa me oferece para trabalhar nela.

- Vantagens? Bem, a empresa oferece o que é determinado por lei.

- E nenhuma outra?

- Outra como?

- Ora, vamos dizer, por exemplo, uma bolsa educação, viagem ao exterior, pacote turístico, colônia de férias...

- Não! Não temos nada disso! A nossa empresa cumpre todos os programas exigidos por lei de amparo e proteção dos empregados. Nada mais.

- Quer dizer: vocês tratam os empregados como escravos!

- Escravos! Você não sabe o que está falando!

- Sei muito bem! Patrão é tudo igual! Só sabe explorar os trabalhadores! Chega! Quero as minhas contas! Estou indo embora!

- Contas? Que contas? Você nem empregado é!

- Ora! Não sou porque o senhor não quis assinar a minha carteira!

- Assinar a sua carteira? Você veio aqui pedir emprego!

- Emprego? Eu vim aqui para saber das vantagens e o senhor foi logo pedindo currículo!

- Minha paciência esgotou! Ponha-se daqui pra fora!

- Antes, vou tirar a sua foto no meu celular e espalhar que fui maltratado aqui na empresa.

- Desliga essa porcaria e saia da minha sala!

- Eu saio, mas vou direto ao sindicato! Vou reclamar os meus direitos!

- Você é maluco!

- Opa! Ofensa moral! Mais um dinheirinho...

- Vou chamar a segurança!

- Pode chamar! Danos materiais! Mais um dinheirinho...

- Suma daqui!

- Vou ser demitido sem justa causa?

- Segurança! Joga esse vagabundo na rua!

- Só saio à força! E a minha turma já está pronta para interditar a rua, queimar uns pneus, fazer barricada...

quarta-feira, 5 de julho de 2017

O corpo da sogra

Isso ocorreu há muito tempo. Estávamos jantando num restaurante de Niterói, eu e ele, ambos divorciados e novamente solteiros. Conversa vai, conversa vem, veio o assunto dos motivos de separação de casais, e foi aí que ele me contou a seguinte história da sua vida.

Ainda jovem, foi aprovado num concurso do Ministério Público do Estado de São Paulo, e foi trabalhar numa cidade do interior daquele Estado. Lá conheceu uma jovem, filha única, enamorou-se e casaram-se. Dois anos depois, passou num concurso para Juiz de Direito do Estado do Rio de Janeiro, e retornou para Niterói com a sua mulher.

Algum tempo depois, receberam a triste notícia da morte da mãe da esposa. Viajaram às pressas para a cidade paulista onde vivia a sogra. A esposa, muito triste, pediu a ele que levasse o corpo da senhora para ser enterrado em Niterói. Ela queria ficar perto do túmulo de sua querida mãezinha.

Ele não sabia como resolver alguns entraves burocráticos, rigorosos naquela época, principalmente no Estado de São Paulo, mas, quando chegasse ao Rio de Janeiro, tudo se resolveria com algumas carteiradas de juiz.

Um parente da esposa propôs, então, levar o corpo até Niterói, na sua Kombi. Bastaria tirar os bancos traseiros. Assim combinaram, e ele mais o parente saíram na calada da noite da cidade interiorana, com o defunto coberto com um tapete e deitado na parte detrás do carro.

Já estava na Via Dutra quando o velho veículo enguiçou. Eram três horas da madrugada. A estrada deserta. Lá ao longe, na pista contrária, perceberam algumas luzes de um provável posto de combustível. Caminharam até o posto para pedir ajuda. O frentista explicou que naquela hora não seria possível conseguir um mecânico. Tiveram que aguardar até o amanhecer. E ali ficaram, desanimados de retornarem ao carro e depois serem obrigados a voltarem ao posto.

Chegou o mecânico e os três foram até onde haviam deixado a Kombi. E nada encontraram!

A Kombi desaparecera! O carro e tudo que estava dentro dele, inclusive o corpo da velha. A conclusão: roubaram o veículo e quem o roubou nem percebeu a existência de um corpo no seu interior. Nunca mais souberam do paradeiro, tanto do veículo, quanto do defunto.

A esposa jogou toda a culpa nele. A dizer que foi de propósito, que ele não gostava da sogra, aquelas coisas. O casamento desandou e acabou. Eu nunca ouvira motivo tão estranho de uma separação. 

terça-feira, 4 de julho de 2017

O ISS dos Bancos Digitais

Segundo o Banco Central, foram fechadas 929 agências bancárias no país, de janeiro até maio deste ano. No primeiro trimestre de 2017, o Banco do Brasil fechou 563 agências, o Bradesco, 192, e o Itaú pretende fechar 180 agências ainda neste ano. E no mesmo período, houve redução de 3.340 funcionários de agências bancárias.

O grande negócio do momento é abertura de conta corrente digital. O uso de aparelho móvel já é responsável por 34% das operações bancárias, superando as transações pela Internet, que atingem 23% do total de operações. Deste modo, internet banking e celulares, somados, correspondem a 57% das transações bancárias.

Esta é a razão de os Bancos fecharem agências e investirem firmes na abertura de agências totalmente digitais. Mas, o que são “agências digitais”? Na verdade, são salas ou escritórios sem atendimento presencial, contendo um pequeno grupo de funcionários grudados nos seus computadores interligados na chamada plataforma digital. E a tendência é centralizar na matriz os negócios digitais. Com isso, talvez no futuro nem esses escritórios digitais continuem a existir. Estima-se em 3,3 milhões o número de contas digitais a ser alcançado até o final deste ano. Atualmente, já são mais de 1 milhão.

As Instituições Financeiras prometem abertura de conta digital sem cobrança de tarifas, o que se explica pelo ínfimo custo que acarreta para o Banco uma operação eletrônica. Uma “agência digital” pode ter quase 50 mil clientes; uma “agência física” comporta até 3 mil clientes. “Agência física” paga aluguel, segurança, áreas de apoio às operações e outras despesas operacionais; “agência digital” não tem essas despesas.

Segundo reportagem no jornal Valor, de 28 de junho, fechar uma operação de empréstimo consignado na agência digital tem um custo irrisório, de apenas centavos de reais. Na agência física, o custo sai por R$60!

Por tais motivos, os Bancos caminham em direção à digitalização. Em alguns casos, o correntista tem que escolher uma agência física para relacionamento. Mas, a tendência é acabar com essa exigência: o correntista será atendido exclusivamente por meio digital.

Teremos, então, um cadastro digital, provavelmente registrado e controlado na agência matriz da Instituição Financeira. Neste sentido, não vai importar o domicílio do correntista: sua conta será mantida na matriz do Banco, não importa a sua localização.

E o ISS? Bem, provavelmente os serviços prestados por meio digital serão contabilizados como receita na contabilidade da agência matriz. E como se sabe, o imposto municipal é devido no Município onde se localiza a agência bancária. Deste modo, grande parte da receita tributável será centralizada na matriz e, por consequência, a provocar um esvaziamento das agências bancárias espalhadas pelo país.

Mais uma dificuldade para o Fisco Municipal.